Técnicas de estudo podem maximizar a aprendizagem do seu filho

        Desde a infância até a adolescência os filhos precisam ser guiados em casa para dar continuação ao conhecimento recebido na escola, por isso, a participação dos pais é indispensável nas tarefas diárias que envolvem a aprendizagem. Dentre elas está uma comumente negligenciada pela educação formal das salas de aula: a tarefa de aprender como aprender.

        Para compreender esse conceito é necessário repensar o sistema educacional ao qual os filhos estão inseridos, pois ele comumente valoriza a interação pouco prática com inúmeras fórmulas, teorias, atividades e responsabilidades que requerem uma administração com equilíbrio e maestria, coisas que só são conquistadas com a motivação, a organização, o gerenciamento e a aplicação de técnicas corretas. Sem a compreensão de como potencializar a aprendizagem todas as atividades escolares podem acabar gerando estresse na vida estudantil e familiar, além de conteúdos pouco consolidados no cérebro do estudante.

 

Aprender a aprender

        Parece pleonasmo, mas, na verdade, antes de qualquer técnica é preciso inspirar nas crianças e jovens o amor pelo aprendizado: eles precisam aprender a gostar de aprender. Uma das melhores formas de fazer isso é transmitindo exemplos reais sobre o impacto do conhecimento: seja por meio de uma experiência cultural ou pela apresentação de histórias reais, dentre elas, as que vêm de casa. Ler com os filhos, estudar junto e instigar a curiosidade sobre novos assuntos são práticas que contribuem para a formação de uma personalidade que anseia por conhecimento. Lembre-se de que se o seu filho não souber para que o aprendizado serve na prática ele dificilmente irá se motivar com a teoria.

 

Rotina e hábito caminham juntos

        A rotina do seu filho será determinante em todas as áreas da vida, mas na estudantil ela tem um papel essencial, que é o de criar o hábito do estudo. Pesquisas apontam que em vinte e um dias é possível criar um novo hábito* e isso envolve esforço contínuo e diário. Estipule ao seu filho a responsabilidade de dedicar todos os dias uma quantidade determinada de tempo aos estudos, mesmo quando não houver deveres de casa, pois assim ele estará em constante revisão dos conteúdos e, além disso, treinará a capacidade de concentração e compromisso com as tarefas. É importante frisar que para virar rotina é necessário que o horário de início e término dessa atividade seja sempre o mesmo e que o local para praticá-la seja propício e reservado apenas para o estudo. Isso fará com que o cérebro crie um padrão de comportamento e, com o passar dos dias, esse hábito seja consolidado.

 

Preparando o ambiente

        O local para os estudos deve ser limpo, arejado e bem iluminado. A luz natural é a melhor escolha, entretanto, desde que não atinja os extremos: nem muito clara, para não agredir a retina, e nem muito escura, para não causar sono e desconcentração, a artificial também pode ser usada.

Outro aspecto importante do local é o acesso aos materiais de estudo, que devem estar ao alcance das mãos, bem como tudo que poderá vir a ser utilizado – uma garrafa com água, por exemplo. Isso evitará as pausas desnecessárias. Já os aparelhos que causam distração (celular, TV) não devem estar no ambiente.

 

Finalmente, as técnicas:

Depois de inspirar e planejar a rotina e o ambiente, é preciso estabelecer os métodos. Para isso, elabore com o seu filho um planejamento mensal do que ele deverá estudar, definindo a quantidade de horas que ele deve se dedicar a cada tarefa e a técnica que ele utilizará para cada disciplina. Por exemplo: no primeiro dia da semana ele pode dedicar cinquenta minutos à disciplina de português e mais cinquenta minutos à matemática, dividindo esse tempo entre leitura, produção do material de revisão e exercícios; no segundo, estudar física e história e assim sucessivamente até cumprir o plano do mês. A ideia é trabalhar com o funcionamento do cérebro e manter na memória todas as disciplinas sempre frescas. Para potencializar o estudo é necessário alternar conteúdos diferentes, como português e matemática, pois isso quebra a monotonia e faz com que o cérebro descanse entre um conteúdo e outro.

Se necessário, comece a cronometrar as horas estudadas do seu filho e faça um registro dessa quantidade. Mostre que o tempo bem administrado pode trazer benefícios futuros, como, por exemplo, mais tempo para brincar ou jogar após cumprir as obrigações.

 

Mapas mentais

É fundamental que cada hora de estudo seja ativa o suficiente para fazer o estudante processar a informação e ainda produzir um material que pode ser revisado depois. O mapa mental é uma das técnicas mais eficazes nesse sentido. Por trabalhar o lado esquerdo (mais acadêmico e disciplinado) e o lado direito (mais criativo, artístico) do cérebro ele ajuda na solidificação do conteúdo. Os mapas são feitos a partir de uma ideia central que se liga a ramos de desenvolvimento, o que favorece a organização dos conceitos no cérebro e ainda estimula as associações visuais. Um mapa ideal é aquele que utiliza palavras-chave, cores e desenhos.

 

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Flashcards

Outra técnica bastante interessante é a gamificação do estudo por meio de flashcards, que são cartões frente e verso onde um lado apresenta uma pergunta ou palavra-chave e o outro a resposta ou descrição do conceito. Esses cartões podem ser feitos com cartolina e dão um ar de diversão e desafio ao estudo, o que estimula o cérebro e ajuda na memorização. É importante lembrar que esses cartões devem ser produzidos com as palavras do estudante, nada de copiar e colar do livro, pois o objetivo é processar o conhecimento.

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Bloco de exercícios

Segundo um estudo feito em 2013 pela Psychological Science in the Public Interest,  os exercícios são uma das técnicas mais eficazes de aprendizagem. Fazê-los todos os dias ajuda a fixar o conteúdo na memória de longo prazo.

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Para encerrar, tenha em mente que a prática leva à perfeição e que as técnicas ensinadas aqui precisam ser desenvolvidas constantemente, só assim será possível avaliar quais trazem maiores benefícios ao processo de aprendizagem do seu filho.


*Informação retirada dos estudos expostos no livro O poder do Hábito, de Charles Duhigg.